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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Texturas... ou ternuras?




















Se um dia eu
precisasse de dizer
que o encantamento se personifica,
se um dia eu
precisasse de sussurrar
que a ternura se enche de infinitudes de emoção,
se um dia eu
precisasse de explicar a amizade,
se um dia eu
precisasse de dizer que o afecto
é um ser com vida própria,
se um dia eu
precisasse de lapidar as faces infinitas do amor,
se um dia eu
precisasse de rasgar o tecido
de que sou feita
(sentir-lhe o toque num afago de mão
e levá-lo até à porta da retrosaria)
só para ver bem as cores que tem à luz do sol,
pedia-te:
- Vem hoje às compras comigo, por favor!
Foto: Henrique Santos

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Presenças




















Sempre gostei de árvores, de as olhar.

De longe, na paisagem, de perto, a cada uma a minha atenção.
São mágicas, são rochas vivas de uma energia permanente, que se manifesta num tempo para além do tempo: num tempo mais longo que o meu.

Árvores.
Gosto de ficar por perto.
Cheirar o ar que as circunda.
Ouvir mil rumorejos, ver o sol bailar em cada folha uma dança única de luz. Tantos verdes, tantos tons, planos e planos de ramadas que quase tocam o céu.

Ficar cá em baixo, encostar ao tronco.
Ficar.
Permanecer.
Olhar para cima, as mãos percorrendo rugosidades e texturas, os olhos perscrutando a copa, mergulhando em verdes, voando cada vez mais para cima, lá onde as ramadas voam no céu azul.

Plátanos. Carvalhas. Pinheiros mansos.
Frescuras.
Proximidades.
Terra.

Gosto das árvores.
Foto: Henrique Santos