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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Encontro ao sol

Foto: HenriqueSantos
Vou ao teu encontro
e sei que o abraço está lá
o olhar agasalha-me
como aquele casaco
velhinho, poído, íntimo, único
que espera por mim
(desde sempre, é como o sinto)
nas costas da cadeira
(em casa, claro)
e me envolve como mais nenhum...
E então
sinto a minha boca sorrir-te sozinha,
independente da minha vontade
e essa curvatura desenhada em felicidade
tem o sal do mar
o gosto a terra
e a capacidade
de me pôr o sol no coração.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CONFORTO

Foto: Henrique Santos


Chegavas…
A tua mão a acenar no ar
dizia-me “conforto”!
– Chegou o meu porto – pensei,
num suspiro abrigado. – Porto de abrigo, é onde fico, contigo.
Preparei-me. Antegozei a conversa amiga, cheia, liberta.
Estou pronta, ou melhor, sedenta:
Sento-me
à sombra da tua voz.
Olho
através do teu olhar.
Penso e digo e oiço
as coisas que vêm colocar-se para serem ditas…
É bom estar aqui.

Depois…
Em cada dia
invento como apagar a tua ausência: pinto no ar
um pulo de pássaro lançado em voo, lá do alto, asas abertas
e nesse voo risco o vazio com movimento.
Em cada dia a sós comigo
agradeço
a construção em mim da tua presença: adereço de amizade
sem preço…
de olhos abertos
recolho o olhar e sinto-te pousar
em quietude
num canto de mim.

domingo, 6 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sou



Entre mim e a Primavera

um caminho de terras húmidas da última chuvada,
um apelo verde,
uma fugida de lebre vislumbrada em felpudos cinzas…

Sou
deslumbrada de sol
um canto
de pássaro sem nome
chilreia-me no espaço entre a alma e o corpo…

Sinto-me erguer,
sou capaz de derrotar a tristeza,
sou um sorriso sem fim que me sai dos poros,
que me seca o choro,
que me pega na mão.

Sou o chão.
Sou água.
Sou.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

FORMA DE OLHAR



Navego no teu olhar.
Abrigo antigo, amigo.
Faço-me novelo.

Enrosco-me na frescura verde de prados…
Encanta-me o brilho.
Embala-me a expressão.

Envolvem-me matizes de cor,
verdes, castanhos, dourados...

Dissolvo-me, encontro-me.
São cheiros de terra lavrada,
os teus olhos, são!

Terra em torrão
acolhedora,
geradora: onde pode nascer grão.
No teu olhar passeio-me, amparada,
pressinto-lhe o ondular de campos de trigo...

Olho e vejo: lonjuras, imensidão sem par…
Navego no teu olhar…

Foto: Henrique Santos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

ENTARDECER


Tecer o fim da tarde.
Entontecer de luz.
Beber a dissolução do sol
pelo olhar…
Afagar cabelos de erva.
Sentir marulhar a tarde
na liquidez em brasa...
Mansamente mar.

Foto: Henrique Santos

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Solidão














       






Está em mim
um tempo de silêncio
em peso de montanha.
Solidão instalada.

Paira esta atmosfera pesada,
tórrida de opressão
como a cor crua do sol
na planura, à hora do calor.
Invade tudo,
toda a altura,
a largura
e a espessura dos dias.
Tudo o que na paisagem se alcança.

E eu também
ferozmente tisnada,
crestada,
em completa secura.
Experiência dura.

A solidão agarra-me,
carraça sugadora da cor dos dias.
Vivo um tempo
em que as palavras
não se abrem,
condensadas,
cada uma feita espessa bola de dor,
e espanto,
e interrogação sem par.
Foto: Henrique Santos

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ASAS...

foto: http://escreveduras-da-raquel.blogspot.com/2010/01/amor-combate.html

"Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas."


E mesmo quando parece que não as sabemos abrir
que não descolamos do chão
que até sentimos os pés a afundar
num lodo nauseabundo
opressor
que nos engole para dentro da sua monstruosa papa amorfa...
As asas estão lá
fechemos os olhos
(mesmo que estejam enterrados no lodo fedorento)
e pelo lado de dentro do olhar
pela força do querer
pela capacidade de resistir
façamos abrir
façamos acontecer o ver-nos a abrir as asas
e, de repente,
ah! de repente estaremos a olhar o lodo de cima!
Em pleno voo!

sábado, 1 de maio de 2010

Shantala

Que bom que é emocionarmo-nos!
Que bem que sabe recordar percursos, experiências, encontros...

Shantala... Shantala...
É uma palavra mágica para mim.

É encontro com um livro... diferente.
Que em mim está ligado a outros livros marcantes. Outros encontros...

É massagem... a um bebé que hoje tem quase 20 anos: a minha filha.
Massagem que foi ligação, que foi segredos, que foi luz, que foi encantamento, que foi salvação, que foi luta para encontrar paz, que foi esperança traduzida em gestos no quotidiano.
Ficou gravado em mim.
Acho que também ficou gravado nela...
Encontrámo-nos a cada massagem.

E hoje encontrei (tropecei! n') este vídeo (uma ternura!), que puxou todas estas recordações.

E pode ser que haja por aí muita "mãe de primeira viagem" que queira experimentar...
Eu aconselho vivamente! :)